2026 Começou — Talvez Seja o Ano de Voltar a Jogar por Prazer
Todo começo de ano traz a mesma sensação: uma mistura de expectativa, vontade de recomeçar… e uma lista invisível de coisas que “precisam” ser feitas. Curiosamente, isso também chegou aos videogames. Backlogs infinitos. Listas de jogos “obrigatórios”. Platinas acumuladas. Calendários de lançamentos. Passes de temporada. Eventos que acabam em poucos dias. E, sem perceber, jogar deixou de ser um prazer e virou mais uma tarefa. Mas e se 2026 fosse diferente?
Alexandre Souza Borges
1/9/20263 min read


Quando jogar vira obrigação, algo se perdeu no caminho
Os jogos nasceram para uma coisa simples: gerar experiências memoráveis.
Mas hoje, muita gente joga para não ficar “para trás”, para completar desafios semanais, não perder recompensas, zerar o backlog, manter streaks ou acompanhar amigos e tendências. O problema não é fazer isso às vezes — o problema é quando isso vira o motivo principal.
Quando você termina um jogo e não sente nada. Quando pula diálogos, acelera o final, joga três títulos ao mesmo tempo… e não se conecta com nenhum.
Isso não é falta de amor por games. É excesso de estímulo e falta de presença.
E se este fosse o ano de voltar a jogar com calma, sem pressa, sem culpa, sem checklist? Não para jogar mais, mas para jogar melhor.
Jogar menos pode fazer você aproveitar muito mais
Existe uma ideia perigosa de que “aproveitar jogos” significa jogar o máximo possível. Na prática, acontece o contrário: quanto mais você fragmenta sua atenção, menos o jogo marca você.
Experiências memoráveis surgem quando você se envolve com o mundo, entende os personagens, respeita o ritmo da narrativa, permite o tédio entre momentos intensos e cria espaço mental para absorver o que está vivendo.
Não é sobre quantidade de horas. É sobre qualidade de presença.
Um único jogo vivido com calma pode marcar mais do que dez jogados no piloto automático.
2026 pode ser o ano de desacelerar dentro dos jogos
Talvez o convite para este ano seja simples — e difícil ao mesmo tempo: pare de correr dentro dos jogos. Não rushar a campanha, não pular tudo, não jogar pensando no próximo título. Deixar o jogo te conduzir, não o contrário.
Algumas mudanças pequenas fazem uma diferença enorme.
Jogue um jogo por vez (de verdade). Multitarefa mata a imersão. Escolha um jogo, fique com ele e termine quando fizer sentido — não quando a internet mandar.
Respeite o ritmo da experiência. Nem todo jogo foi feito para ser acelerado. Alguns pedem silêncio, outros observação, outros pausa. Ouvir isso muda completamente a relação com o jogo.
Jogue presente, não distraído. Jogar enquanto mexe no celular, responde mensagem ou assiste algo ao mesmo tempo reduz tudo a ruído. Presença transforma gameplay em experiência.
Crie memórias, não conquistas vazias. Pergunte-se depois de uma sessão: “O que eu vivi hoje nesse jogo?”. Se a resposta for só números, algo está errado.
Redescobrindo o prazer de jogar — não a dopamina
Jogos modernos são ótimos em entregar dopamina rápida. Mas prazer profundo é outra coisa.
Prazer vem de identificação com personagens, trilhas sonoras que ficam na memória, momentos de silêncio, escolhas difíceis, finais que ficam com você por dias e histórias que conversam com a sua própria vida.
Isso não se constrói correndo. Se constrói sentindo.
Talvez 2026 não precise de mais jogos. Precise de mais conexão com eles.
Jogar também é se conhecer
A forma como você joga diz muito sobre como você vive.
Você joga sempre apressado? Talvez esteja vivendo assim também.
Não consegue parar? Talvez esteja fugindo do silêncio.
Sente culpa ao desligar? Talvez esteja usando o jogo como anestesia.
Jogar de forma consciente não é só sobre games. É sobre aprender a habitar melhor o próprio tempo.
Um convite para este novo ano
Em vez de prometer jogar tudo, tente algo diferente em 2026: jogue menos jogos, jogue com mais intenção, jogue sem culpa, jogue sem pressa, jogue pelo prazer — não pelo hábito.
Permita-se se apaixonar de novo por um jogo. Permita-se sentir. Permita-se terminar uma sessão satisfeito, não exausto.
Conclusão
2026 está só começando. E talvez o maior presente que você possa se dar seja simples: voltar a jogar como quando você não precisava provar nada para ninguém.
Sem ranking, sem pressão, sem lista infinita. Só você, o jogo… e a experiência acontecendo.
Que este ano seja menos sobre completar tudo e mais sobre lembrar por que você começou a jogar.


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