A Volta dos Jogos Bons: O Momento em Que a Indústria Parece Ter Lembrado do Que Importa

Eu não sei você, mas por um bom tempo eu tive a sensação de que algo estava… errado. Eu ainda jogava. Ainda acompanhava lançamentos. Ainda me empolgava com anúncios. Mas na hora de sentar e jogar de verdade, aquela sensação que eu sempre tive com videogame simplesmente não vinha. Parecia tudo meio… genérico. Sem identidade. Sem alma.

Alexandre Souza Borges

5/19/20264 min read

E não foi só impressão.

Nos últimos anos, a indústria entrou numa fase onde muitos jogos pareciam versões diferentes da mesma ideia. Hero shooters, battle royales, jogos como serviço tentando te prender mais do que te entreter.

E alguns desses projetos nem tiveram tempo de existir direito. Casos como Concord viraram quase um símbolo dessa fase, jogos que chegaram e desapareceram em questão de dias.

Mas agora, em 2026, eu estou começando a sentir algo diferente.

E, pela primeira vez em um bom tempo, parece que estamos vendo a volta dos jogos bons.

Quando Jogar Virou Mais Obrigação do Que Prazer

Teve uma época recente em que abrir um jogo parecia mais uma tarefa do que um momento de diversão.

Battle pass para completar.

Eventos com tempo limitado.

Login diário.

Grind infinito.

Eu mesmo já me peguei entrando em jogo não porque queria jogar… mas porque “precisava fazer as coisas do dia”.

E isso, pra mim, foi um dos maiores sinais de que a indústria tinha se perdido um pouco.

Porque videogame nunca foi sobre obrigação.

Sempre foi sobre curiosidade, descoberta, emoção.

Quando isso se perde, não importa o quão bonito ou caro o jogo seja… ele simplesmente não conecta.

2026 e a Sensação de Que Algo Mudou

Agora, olhando para esse começo de 2026, eu sinto que as coisas começaram a virar.

Ainda existem jogos esquecíveis, claro. Alguns projetos como Highguard mostram que nem tudo mudou de uma hora para outra.

Mas, ao mesmo tempo, começaram a aparecer experiências que simplesmente… funcionam.

Jogos que têm identidade.

Que sabem o que querem ser.

Que não tentam agradar todo mundo ao mesmo tempo.

Eu joguei Pragmata e senti aquilo que há muito tempo não sentia: um jogo com direção clara, ritmo, intenção.

E, ao mesmo tempo, me deparei com coisas completamente fora do radar, como MOUSE: P.I. For Hire, que não só é estiloso, como é criativo, diferente, ousado.

É aquele tipo de jogo que você bate o olho e já entende: isso aqui tem personalidade.

E isso, hoje, vale muito mais do que qualquer gráfico ultra realista.

As Empresas Começaram a Sentir o Impacto

Essa mudança não veio do nada.

Ela veio porque o modelo anterior começou a falhar.

Projetos gigantescos, caríssimos, focados em retenção… simplesmente não estavam sustentando o interesse das pessoas.

E aí começaram os movimentos mais fortes da indústria.

A Sony, por exemplo, recuou de forma significativa nos seus planos de apostar pesado em jogos como serviço, depois de resultados abaixo do esperado e cancelamentos internos.

Fonte: https://www.bloomberg.com/news/articles/2024-01-30/sony-scales-back-playstation-live-service-game-plans

A Microsoft também passou por uma onda de cancelamentos de projetos e reestruturações, encerrando diversos jogos em desenvolvimento e ajustando sua estratégia.

Fonte: https://www.theverge.com/2024/5/7/24151358/microsoft-xbox-game-cancellations-2024

Agora, isso tem um lado pesado.

Muita gente perdeu emprego.

E isso nunca é algo positivo.

Mas, ao mesmo tempo, esses movimentos mostram que o mercado finalmente respondeu.

E, dessa vez, respondeu ouvindo o jogador.

O Recado Foi Dado (E Funcionou)

Se existia alguma dúvida sobre o que os jogadores realmente querem… ela acabou nos últimos anos.

Quando Baldur’s Gate 3 ganhou o GOTY, ficou claro que ainda existe espaço para jogos profundos, densos, com liberdade e identidade.

Depois veio Astro Bot, um jogo de plataforma puro, divertido, focado na experiência, lembrando muito a essência de clássicos como Mario 64.

E então, um dos casos mais interessantes: Clair Obscur: Expedition 33.

Um jogo vindo de um estúdio novo.

Com forte identidade cultural.

Uma trilha sonora marcante.

E uma proposta completamente fora do padrão atual.

Esse tipo de jogo não deveria ser o mais premiado do mundo… dentro da lógica antiga da indústria.

Mas foi.

E isso mudou tudo.

O Que Eu Sinto Como Jogador Hoje

Hoje, quando eu olho para os lançamentos, eu não sinto mais aquela dependência de “esperar o próximo AAA salvar o ano”.

Eu sinto que sempre tem algo interessante surgindo.

Algo menor.

Algo diferente.

Algo com identidade.

E isso muda completamente a relação com o hobby.

Porque eu paro de consumir jogos como produto…

e volto a viver jogos como experiência.

A Volta da Identidade

Se tem uma coisa que define esse momento atual, pra mim, é isso: os jogos voltaram a ter cara própria.

Eles não estão mais tentando ser tudo ao mesmo tempo.

Não estão tentando copiar o que já deu certo.

Não estão sendo só “mais um no gênero”.

Eles estão sendo… eles mesmos.

E isso é exatamente o que fez a gente se apaixonar por videogame lá atrás.

Conclusão

Eu não acho que a indústria está “curada”.

Ainda vão existir jogos genéricos.

Ainda vão existir apostas erradas.

Ainda vão existir projetos que colocam retenção acima de diversão.

Mas, pela primeira vez em um bom tempo, eu sinto que a direção mudou.

Que o jogador voltou a ser ouvido.

Que a experiência voltou a ser prioridade.

E que, sim… Os jogos bons estão voltando.

E no fim das contas, era só isso que a gente queria.

Não mais horas.

Não mais sistemas.

Não mais mecânicas de retenção.

Só bons jogos.

Aqueles que você joga, termina… e lembra.