GTA 6, jogos caros e uma pergunta que não sai da minha cabeça: quanto vale uma boa experiência?

Nos últimos dias uma notícia chamou bastante minha atenção. Mesmo sendo um dos jogos mais caros da atualidade, GTA 6 arrecadou mais de um bilhão de dólares em poucas horas de pré-venda, quebrando recordes antes mesmo do lançamento. Ao mesmo tempo, basta abrir qualquer rede social para encontrar jogadores dizendo que determinados lançamentos "não valem o preço". E foi aí que comecei a pensar.

Alexandre Souza Borges

7/4/20264 min read

Será que estamos discutindo o preço dos jogos...

...ou o valor que damos para eles?

Porque talvez essas duas coisas não sejam a mesma.

E quanto mais penso nisso, mais percebo que talvez nunca tenham sido.

Um jogo pode ser caro para uma pessoa e barato para outra

Vou usar um exemplo meu.

Hoje, GTA 6 custa R$ 449,90 na edição padrão.

Para mim?

Eu não pagaria esse valor.

Não porque ache que o jogo será ruim.

Muito pelo contrário.

Tenho certeza de que será um dos maiores lançamentos da história.

Mas, olhando para a minha realidade, esse simplesmente não é um valor que eu considero confortável para um único jogo.

Agora vem a parte curiosa.

Existe outro lançamento deste ano, Echoes of Aincrad, que muita gente chamou de caro nas redes sociais.

E, sinceramente?

Eu estou muito mais animado para jogar ele do que GTA 6.

Se me perguntassem hoje em qual dos dois eu gastaria meu dinheiro primeiro, minha resposta provavelmente seria Echoes of Aincrad.

Percebe como isso muda completamente a discussão?

O problema deixou de ser o preço.

Passou a ser o quanto aquela experiência significa para mim.

Valor não é uma conta matemática

No artigo que escrevi sobre o preço dos jogos, comentei que muitas vezes confundimos preço com valor.

Continuo acreditando nisso.

Porque valor não é uma equação.

É percepção.

É expectativa.

É desejo.

É identificação.

É o quanto aquela experiência conversa com você.

Pense em duas pessoas olhando exatamente para o mesmo jogo.

Uma delas vê apenas um lançamento de R$ 450.

A outra vê centenas de horas de diversão, uma franquia que acompanha há décadas e uma experiência que esperou por anos.

As duas estão olhando para o mesmo produto.

Mas enxergando coisas completamente diferentes.

A mesma lógica vale para qualquer hobby

Outro dia pensei em um exemplo que não tem absolutamente nada a ver com videogame.

Em ano de Copa do Mundo, não é difícil encontrar camisas oficiais das seleções custando mais de R$ 700.

Eu jamais pagaria isso.

Na minha cabeça, é muito dinheiro para uma camiseta.

Mas, para um torcedor apaixonado, talvez faça todo sentido.

Agora olha como somos contraditórios.

Eu não pago R$ 700 em uma camisa.

Mas não penso duas vezes antes de gastar esse mesmo valor em um final de semana levando minha família para passear.

Se alguém me perguntasse se foi caro, eu provavelmente responderia:

"Foi."

Mas também diria:

"Valeu cada centavo."

Porque eu não estava comprando apenas ingressos.

Estava comprando lembranças.

Momentos.

Experiências.

Com jogos acontece exatamente a mesma coisa.

Nem todo jogo precisa valer para todo mundo

A internet criou um hábito curioso.

Quando um jogo é lançado, parece que precisamos decidir coletivamente se ele "vale o preço" ou não.

Mas será que isso faz sentido?

Talvez ele não valha para você.

E tudo bem.

Isso não significa que não valha para outra pessoa.

Eu vejo muita gente dizendo que GTA 6 vale cada centavo.

Também vejo muita gente dizendo exatamente o contrário.

Nenhum dos dois está necessariamente errado.

Porque entretenimento não funciona como uma planilha.

Ele funciona através da experiência.

O que realmente estamos comprando?

Quando compramos um jogo, não estamos levando apenas um arquivo para casa.

Estamos comprando tempo.

Memórias.

Conversas.

Emoções.

Histórias.

Às vezes estamos comprando aquele momento em que desligamos o videogame e pensamos:

"Caramba... que jogo incrível."

Outras vezes estamos comprando a chance de reunir amigos toda semana.

Ou simplesmente algumas horas para esquecer um dia difícil.

Como colocar preço nisso?

Não existe resposta objetiva.

O perigo de medir tudo pelo custo por hora

Existe uma discussão muito comum entre jogadores.

"Esse jogo custa R$ 400, mas tem 200 horas."

"Esse custa R$ 250 e dura só 12 horas."

Só que, sinceramente?

Nunca consegui concordar totalmente com essa lógica.

Resident Evil 9 me levou cerca de 11 horas para terminar.

Ground Zero, um indie que me conquistou do começo ao fim, durou aproximadamente 23 horas.

South of Midnight ficou perto das 18 horas.

E sabe de uma coisa?

Eu lembro praticamente de tudo que vivi nesses três jogos.

Cada momento.

Cada personagem.

Cada cenário.

Enquanto isso, já passei centenas de horas em alguns jogos de serviço e hoje mal consigo lembrar do que fiz na semana passada dentro deles.

Quantidade nunca foi sinônimo de valor.

Talvez a pergunta esteja errada

Depois de tudo isso, acho que cheguei à mesma conclusão do artigo anterior.

Talvez a pergunta nunca tenha sido:

"Os jogos estão caros?"

Talvez a pergunta seja:

"Essa experiência vale esse preço para mim?"

Perceba a diferença.

Não para os outros.

Não para o mercado.

Não para quem faz review.

Para você.

Porque a resposta nunca será igual para todo mundo.

Conclusão

GTA 6 vender milhões de cópias mesmo custando R$ 449,90 não prova que os jogadores enlouqueceram.

Também não prova que esse deveria ser o novo preço padrão da indústria.

Talvez só prove uma coisa.

Valor é uma experiência profundamente pessoal.

Cada um de nós escolhe onde investir seu dinheiro de acordo com aquilo que considera importante.

Tem gente que compra uma camisa oficial de futebol.

Tem gente que prefere viajar.

Tem gente que investe em um instrumento musical.

Tem gente que troca de celular todo ano.

E tem gente que compra videogames.

Nenhuma dessas escolhas é automaticamente certa ou errada.

O que realmente importa é se aquilo faz sentido para você.

No fim das contas, jogos são entretenimento.

E entretenimento sempre foi uma das formas mais subjetivas de consumo que existem.

Talvez seja justamente por isso que nunca vamos chegar a um consenso sobre quanto um jogo deveria custar.

Porque, antes de existir um preço na etiqueta, existe algo muito mais difícil de medir:

o valor que cada experiência tem para cada pessoa.

Contato

Email

contato@checkpointmental.com

© 2025. All rights reserved.