Todo Jogo Precisa de Endgame? Quando Terminar Também É Parte da Experiência
Eu tenho pensado muito nisso ultimamente: Todo jogo precisa mesmo de endgame? Porque quanto mais eu jogo, mais eu sinto que alguma coisa mudou na forma como a gente consome videogame. Hoje parece que todo jogo precisa ter: - conteúdo infinito - sistema de progressão contínua - motivo pra você logar todo dia E, sinceramente? Às vezes… eu só queria um jogo que começasse, me envolvesse… e terminasse.
Alexandre Souza Borges
5/1/20263 min read


Eu Gosto de Endgame… Mas Nem Sempre
Antes de qualquer coisa, eu não sou contra esse tipo de jogo.
Muito pelo contrário.
Eu jogo bastante Monster Hunter e estou jogando Diablo IV com a nova DLC.
E sim, eu me divirto.
Tem algo muito satisfatório em:
montar build
otimizar equipamento
melhorar aos poucos
enfrentar desafios mais difíceis
Esse tipo de loop funciona.
Mas o ponto é outro: eu não quero que todo jogo seja assim.
Quando o Jogo Vira Uma Corrida Até o Endgame
Tem uma coisa que começou a me incomodar.
Em muitos jogos, a campanha virou só um caminho.
Um obstáculo.
Quase um tutorial longo até o “jogo de verdade”.
E eu percebi que, sem nem notar, eu comecei a jogar assim também:
pulando diálogos
acelerando missão
ignorando detalhes
Só pra chegar logo no endgame.
E quando eu chegava… Vinha uma sensação estranha.
O Momento em Que Eu Me Pergunto: “Por Que Ainda Estou Jogando?”
Já aconteceu comigo mais de uma vez.
Eu estava lá, jogando, repetindo atividade, farmando recurso…
e do nada vinha o pensamento: “Por que eu ainda estou jogando isso aqui?”
Não era raiva.
Não era tédio total.
Era só… vazio.
Como se o jogo tivesse deixado de ser uma experiência e virado um hábito.
Um loop automático.
E isso começou a me incomodar de verdade.
Os Jogos Que Me Fizeram Parar e Pensar
E foi aí que vieram algumas experiências recentes que me marcaram muito mais do que eu esperava.
Eu terminei Resident Evil 9 em cerca de 11 horas.
Sem pressa.
Só seguindo o ritmo do jogo.
Depois joguei Ground Zero, um indie que me lembrou muito os Resident Evil antigos.
Levei umas 23 horas.
E foi uma experiência absurda de imersão.
E também terminei South of Midnight em cerca de 18 horas.
Ele nem tem a melhor luta final do mundo.
Mas tem personalidade.
Tem identidade.
Tem algo ali que ficou comigo depois que acabou.
E o mais importante: eu lembro dessas experiências do começo ao fim.
A Diferença de Sentir um Jogo Completo
Esses jogos não estavam tentando me prender.
Eles estavam tentando me entregar algo.
E isso muda tudo.
Porque enquanto eu jogava:
eu não estava com pressa
eu não estava pensando no “depois”
eu não estava jogando por obrigação
Eu só estava… jogando.
Vivendo a experiência.
E quando terminou, teve algo que hoje é raro: fechamento.
O Problema Não É o Endgame… É a Expectativa
Eu não acho que jogos com endgame são ruins.
Mas eu acho que a gente começou a esperar isso de tudo.
E isso cria um problema.
Porque quando todo jogo tenta ser infinito:
tudo começa a parecer igual
tudo vira sistema
tudo vira grind
E aí até o que era pra ser especial…
vira só mais um loop.
Quando Jogar Vira Tarefa
Tem momentos em que jogar deixa de ser lazer.
E vira uma checklist.
completar missão diária
não perder evento
farmar antes de resetar
otimizar tempo
E quando você percebe…
você não está mais jogando porque quer.
Você está jogando porque sente que precisa.
E isso, pra mim, foi o maior sinal de alerta.
Às Vezes, Tudo Que Eu Preciso É de Um Jogo de 15 Horas
Hoje, eu valorizo muito mais esse tipo de experiência.
Um jogo que:
dura 12, 15, 20 horas
respeita meu tempo
conta algo interessante
e termina quando precisa terminar
Sem me cobrar.
Sem me transformar em jogador recorrente.
Só… me entrega uma boa experiência.
E vai embora.
Conclusão: Nem Todo Jogo Precisa Durar Para Sempre
No fim das contas, essa reflexão não é sobre criticar jogos com endgame.
É sobre lembrar que existem outras formas de jogar.
E talvez até formas mais saudáveis.
Porque hoje eu sinto que: nem sempre o jogo que mais dura é o que mais marca.
Às vezes, o que fica com você é aquele jogo que você terminou…
sem pressa…
sem obrigação…
e que, quando acabou, te deixou pensando: “cara… isso foi bom.”
E sinceramente?
Eu quero mais disso em 2026.


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