Você Vai Se Arrepender do Tempo Que Perdeu? — O Uso Excessivo de Jogos, Tela e a Vida Que Passa Sem a Gente Perceber

Essa conversa é difícil — não porque fala mal de jogos, mas porque fala sobre nós mesmos. Sobre como passamos nossos dias. Sobre para onde está indo nossa atenção. E, principalmente, sobre o que estamos deixando de viver enquanto olhamos para uma tela. A verdade é que os games não são o problema. O problema é quando eles viram o lugar onde você vive… em vez de ser uma parte saudável da sua vida.

Alexandre Souza Borges

12/27/20254 min read

Games, Dopamina e o Sistema Criado Para Prender Você

Hoje, videogames são feitos por empresas gigantes, com equipes de psicólogos, designers comportamentais e especialistas em engajamento.

Não existe maldade nisso: é o mercado funcionando.

Mas existe um efeito colateral.

Todo mundo está lutando pela sua atenção.

Cada minuto preso num jogo é lucro, retenção, player count, venda de temporada, microtransação potencial.

Então sim: muitos jogos modernos são projetados para serem mais interessantes que estudar, trabalhar, conversar, criar, ler ou desenvolver algo real.

E o que está acontecendo hoje com adolescentes, jovens e até adultos vai gerar um arrependimento tão grande no futuro que muita gente só vai entender aos 40, 50, 60 anos — quando perceber que passou metade da vida dentro de um lobby, feed, tela de carregamento ou grind infinito.

Este artigo é um alerta.

Não contra os jogos.

Mas contra perder a própria vida enquanto tenta “zerar” tudo… menos você mesmo.

E é aí que mora o perigo:

jogo não vai te devolver o que a leitura e a vida real te dão.

jogo não vai te ajudar a interpretar o mundo.

jogo não vai construir sua identidade.

Ele entrega estímulo imediato — e nada pede de você.

Essa troca é confortável.

E é exatamente por isso que prende.

A Geração que Está Perdendo a Vida Dentro da Tela

Pesquisas mostram que adolescentes e jovens estão passando entre 6 a 9 horas por dia em telas — boa parte em jogos, redes sociais, lives e vídeos curtos.

Não é exagero:

isso é praticamente um segundo emprego.

E quando essas pessoas chegarem aos 40?

O arrependimento vai ser brutal.

Gerações anteriores diziam:

“Eu devia ter passado menos tempo trabalhando e mais tempo vivendo.”

A geração atual vai dizer:

“Eu devia ter passado menos tempo jogando e mais tempo vivendo.”

Porque:

  • você não lembra do 17º dia seguido que upou um personagem

  • você não lembra de 300 horas de grinding

  • você não lembra do 50º loot repetido

  • você não lembra daquela semana inteira jogando só por hábito

Mas lembra do primeiro beijo,

das viagens,

dos encontros,

das amizades,

dos dias que realmente viveu.

Jogos criam memórias virtuais.

A vida cria memórias reais.

E a diferença entre elas só dói quando você percebe tarde demais.

Games Estão Reduzindo Sua Capacidade de Focar? Sim. E Isso Está Te Custando Caro.

Jogos modernos são rápidos, intensos, barulhentos, recompensadores.

Leitura é lenta, silenciosa, introspectiva.

E adivinha quem vence o seu cérebro?

A dopamina.

Resultado:

uma geração que não consegue mais ler,

não consegue estudar,

não entende texto,

não desenvolve raciocínio profundo.

E isso não é só leitura de livro.

É leitura de mundo.

Leitura de contexto.

Leitura de emoções.

Leitura de conversas.

Leitura do outro.

Pessoas que passam horas demais em jogos intensos ficam:

❌ mais impulsivas

❌ menos capazes de ouvir

❌ menos tolerantes ao tédio

❌ menos capazes de interpretar nuances

❌ ansiosas sem saber por quê

Isso não é culpa do jogo.

É falta de equilíbrio.

O Ciclo da Dopamina: Por Que Você Entra e Não Sai

Todo grande jogo competitivo, de MMORPG ou live service usa três pilares para te prender — os mesmos que as redes sociais:

  1. Medo

    – FOMO: evento limitado, recompensa que vai sumir, season que acaba.

  2. Raiva / Estresse

    – Tilt, competição, toxicidade, rank, derrota injusta.

  3. Pertencimento

    – Guilda, servidor, comunidade, clã, grupo de amigos.

Todos esses sentimentos são extremamente fortes emocionalmente.

E por isso te prendem.

Mesmo quando você não está se divertindo mais.

Você continua logando porque:

  • “não quer perder o evento”

  • “tem obrigação com a guilda”

  • “precisa completar o passe”

  • “precisa manter o streak”

  • “todos os meus amigos jogam”

No fim, você não joga porque quer.

Você joga porque está preso.

TDAH, Jogos e a Sensação de Estar Sempre “Preso no Loop”

Quem tem TDAH:

  • busca estímulo constante

  • se entedia rápido

  • troca de tarefa o tempo todo

  • tem dificuldade de silêncio e foco profundo

E adivinha o que combina PERFEITAMENTE com isso?

Videogames.

Só que existe um risco:

games viram o substituto perfeito para tudo que exige esforço

mas também viram uma armadilha perfeita

porque entregam dopamina demais, rápido demais, fácil demais

Ou seja:

O que funciona como ferramenta terapêutica

pode virar fuga e vício.

E é você quem precisa aprender a reconhecer quando isso acontece.

Existe Solução. E Não É Desinstalar Tudo.

O caminho é disciplina — e pequenas mudanças.

Alguns exemplos:

✔ Pare de jogar no celular

O celular é o maior ladrão de vida da geração atual.

Jogar no console ou PC já reduz:

  • impulsividade

  • troca rápida de aplicativos

  • jogatinas de 30 segundos

  • checagem compulsiva

✔ Estabeleça regras simples

  • “Não jogo depois das 23h.”

  • “Não jogo antes de estudar.”

  • “Não jogo sem ter lido 10 páginas antes.”

✔ Transfira parte do tempo de jogo para o mundo real

  • academia

  • música

  • escrita

  • desenho

  • encontros

  • hobbies manuais

  • caminhada

✔ Lembre-se de por que você está jogando

Se a resposta for:

  • “para passar o tempo”

  • “por obrigação”

  • “por hábito”

… você já está preso no ciclo.

Você Está Vivendo Sua Vida ou Apenas Controlando um Avatar?

Os jogos são incríveis.

Mudaram vidas.

Ajudam no TDAH.

Trazem amigos.

Dão propósito.

Criam memórias lindas.

Mas não podem substituir sua vida.

E se você não tomar cuidado, vão tomar tudo:

  • seu tempo

  • sua energia

  • sua identidade

  • sua juventude

E quando acordar, vai descobrir que viveu mais no jogo do que fora dele.

A pergunta é:

Você está jogando porque ama… ou porque não sabe mais quem é sem o jogo?

Se doeu, talvez seja hora de pausar.

Não o jogo.

Mas o piloto automático.

Conclusão

não desperdice sua vida inteira olhando para uma tela.

Jogue.

Se divirta.

Se apaixone pelos mundos virtuais.

Mas lembre-se:

Nenhum jogo vai te dar:

  • sua juventude de volta

  • sua saúde de volta

  • suas experiências perdidas

  • suas conexões reais

  • seu tempo

Você só tem uma vida para “zerar”.

E ela não está dentro de um save file.